Quarta, 15 de Agosto de 2018
   
Texto

DISQUE DENÚNCIA

Banner

ACESSO À INFORMAÇÃO

Banner

ALAGOAS EM DADOS E INFORMAÇÕES

Banner

Especial 186 anos: A importância da Libras para a melhoria nos serviços realizados pela PM


Alguns sinais da Libras que devem ser utilizados durante as abordagens, segundo a Senasp
 
Mais inclusão, mais interação! Esse é o principal objetivo que a sociedade deve ter quando se fala sobre o tratamento às pessoas com algum tipo de deficiência, tanto física quanto metal. Conviver diariamente com algum deficiente não é algo que se deve fazer para agradar a outrem, deve ser a motivação da garantia dos direitos de igualdade que todos possuem conforme o Artigo 5º da Constituição Brasileira de 05 de outubro de 1988.
 
Baseada nessa garantia de igualdade, em 24 de abril de 2002 a presidência da República Federativa do Brasil sancionou a Lei Nº 10.436 que reconheceu a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação e expressão. A Libras é um sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, de transmissão de ideias e fatos oriundos de comunidades de pessoas surdas no país.
 
A partir daí, as pessoas surdas puderam difundir cada vez mais o sistema linguístico pelo Brasil, muitas escolas com ensino específico foram criadas. Vinculada a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), que iniciou cursos visando a promoção da acessibilidade das pessoas surdas e sua inclusão social, a Polícia Militar do Estado de Alagoas também motivou que a sua tropa pudesse aprender mais sobre a Libras para melhorar o atendimento durante as abordagens nas ruas que vem realizando desde 1832.
 
O aprimoramento dentro da Corporação se deu com a criação da disciplina de Libras nos cursos de formação tanto para oficiais quanto para praças. A primeira turma de policiais militares a receber noções básicas sobre o sistema linguístico foi do ano de 2006. Atualmente, a Academia de Polícia Militar Senador Arnon de Mello (APMSAM) e o Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP) possuem cinco instrutores entre militares e civis.
 
Um dos instrutores é a professora especialista Sheila Belo, que há seis anos presta esse serviço à PM. Para ela, é fundamental que os policiais militares compreendam como os surdos se comunicam para a garantia dos direitos dessas pessoas e que a atividade fim da Corporação obtenha bons resultados.
 
“Não só nas abordagens, mas no cumprimento de sua missão, o policial militar precisa ter esse conhecimento, até mesmo para garantir que a sua integridade seja respeitada. Um grande exemplo dessa importância foi uma experiência vivida por uma tenente enquanto estava realizando o patrulhamento. Uma surda vinha sendo mantida em cativeiro e agredida pelo esposo, também surdo, quando conseguiu fugir e avistou a equipe. Ela pediu ajuda, socorro, e se a PM não soubesse se comunicar por Libras ela não teria como atendê-la levando-a para a realização dos procedimentos cabíveis na Delegacia da Mulher. A comunidade surda está presente em vários locais da sociedade e a Polícia Militar também está inserida nesses ambientes, por isso é extremamente essencial que haja uma boa comunicação com o sujeito surdo através da Língua Brasileira de Sinais. É a garantia do verdadeiro atendimento igualitário tanto para o ouvinte quanto para o surdo”, frisou Sheila Belo.
 
A temática também já foi debatida e defendida em Trabalhos de Conclusão de Cursos da PM, como os realizados em 2016 pelos então cadetes, hoje tenentes, Eduardo de Almeida Borba e Bárbara Hercília Padilha De Vasconcelos, com os títulos “Proposta de criação de um aplicativo de telefonia móvel para pessoas surdas no atendimento de ocorrências policiais militares em Alagoas” e “A Necessidade da Capacitação em Libras dos Policiais Militares de Alagoas no Atendimento às Pessoas Surdas”, respectivamente.
 
Diante dessa importância que vem sendo dada pela Polícia Militar, a Corporação consegue obter resultados na prática de suas ações. Uma publicação em uma rede social elogiou o trabalho exercido por equipes da PM durante uma abordagem a um ônibus coletivo de Maceió, na noite do último dia 10 de janeiro do corrente ano, no Benedito Bentes.
 

Comentário publicado em um grupo no Facebook na noite do último dia 10 de janeiro
 
“Deparei-me com uma situação corriqueira da Polícia Militar. Estava voltando para minha casa, quando o ônibus no qual eu estava foi abordado por policiais e todos os passageiros foram revistados. Na hora da abordagem, me identifiquei como surdo e para minha surpresa, a policial sabia Libras. Ela me orientou e me revistou com toda a educação e ética da profissão”, publicou o estudante da primeira turma do Curso de Letras-Libras da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Lucian Neto, em um grupo do Facebook.
 
O estudante descreveu a abordagem realizada por três equipes do Programa Força Tarefa e do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM), que estavam sob o comando da 1º sargento Flávia dos Santos, que integra o efetivo do CFAP. Para ela, o reconhecimento mostra que a Corporação está atuando com mais qualidade principalmente no atendimento às pessoas com deficiência.
 
“A PM está cada vez mais capacitada para melhor atender a população alagoana e isso é demonstrado em sua atuação. Esse foi apenas um exemplo que estamos buscando da melhor forma cumprir nossa missão constitucional”, afirmou a sargento enfatizando que o elogio não foi só para os militares que estavam ali presentes, mas a todos que se empenham em resguardar a segurança da sociedade alagoana.
 
No final da publicação, Lucian agradeceu satisfeito com a atuação das guarnições. “Desde já quero agradecer em nome dos surdos pela acessibilidade que houve na hora da revista. Parabéns Polícia Militar de Alagoas pelo respeito com a pessoa surda”, finalizou ele reforçando que a atuação de abordagens a coletivos continuem por trazer mais segurança aos cidadãos alagoanos.
 

Abordagens em ônibus coletivos e passageiros serão constantes, diz Comandante-Geral da PM
 
O Comandante-Geral da Corporação afirmou que as ações em combate à violência e ao tráfico de drogas serão continuadas em todo o Estado e reforçou que há um empenho da PM em melhor atender a todos com igualdade.
 
“É um esforço conjunto empenhado por todos os nossos policiais militares diariamente de um lado a outro do Estado. Estaremos sempre cumprindo com o nosso dever de assegurar a população sua segurança. Claro que é preciso reconhecer que nem todos que integram a Corporação conseguem se comunicar através da Libras, mas o certo é que há um trabalho contínuo para que mais e mais possamos estar cumprindo o que determina a Lei com o respeito às pessoas com deficiência. Temos a consciência que todos são iguais e a PM tem procurado fazer de tudo para essa garantia”, disse o oficial superior.
Partilhar no FacebookPartilhar no Twitter

ATENÇÃO

Banner

INFORMATIVOS

Banner
Banner
Banner

LINK CNCG